Meu gato e filho, Mike, faleceu sábado, 4 de setembro, às 22h, dentro de uma mochila no meu colo. Ele tinha seis meses e eu o adotei há três. A causa da morte foi pif, peritonite infecciosa felina. Ele não teve e nem terá autópsia. Sei que é errado, mas o deixei no mar. Foi a forma mais digna que achei para me despedir.
O que segue, não é uma pretensão jornalística investigativa, e sim um desabafo. Não darei nomes aos bois. seria uma atitude mesquinha e pequena depois do que aconteceu. Meu desabafo é com a profissional que o diagnosticou com verme, sem pedir NENHUM exame, fezes, sangue, nada. Leigo, confiei na profissional e segui o medicamento indicado por ela. Três semanas depois, nenhuma melhora. Resolvi ligar novamente e a sugestão dela foi deixa-lo no soro, ela garantiu melhora depois disso. Fui no sábado, e por ironia do destino, a mesma teve que sair da clínica com problemas particulares.
Uma amiga indicou e fomos em uma emergência 24h, esta com médicos preparados e principalmente, mais responsáveis. O pif não foi diagnosticado, os exames ainda estão no laboratório. Mas o que houve em seguinda confirma a doença. A primeira medida, foi a drenagem de bastante líquido localizado no abdômen.
- É grave, muito grave. Disse o médico.
Pif é uma doença das mais difíceis de diagnosticar. Daí preocupação e profissionalismo deste veterinário, que ligou para três colegas de trabalho, relatou os sintomas e pediu opiniões. O dálmata da minha amiga nos acompanhou, e talvez pressentindo o que estava por vir, não parava de chorar e me lamber
Uma especialista em ultrassom foi chamada, e chegou em 20 minutos. O exame foi feito e não houve constatação de ruptura na bexiga, o que evidenciava ainda mais o pif. Coletaram sangue e urina, e um antibiótico foi aplicado. Meu filho ficou totalmente grogue.
Me indicaram outra clinica em Botafogo especialista na doença. Passei em casa e pesquisei sobre a pif. Li que causava convulsões. Cinco minutos depois, Mike estava tendo espasmos. Fiquei desesperado e liguei para clínica em Botafogo, onde a veterinária disse que a pif estava atacando o sistema nervoso, não tinha mais jeito.
Mesmo assim, resolvi tentar, e já na rua esperando um táxi fui informado que a clínica apenas aceitava cheque e dinheiro vivo. Eu não tinha o suficiente no bolso para a consulta, somente para o táxi e não uso cheque. Recebo uma ligação da minha mãe, preocupadíssima com a situação, oferece cheque, cartão, dólar, brincos, o que fosse. Mãe é mãe. Ela estava em um aniversário aqui do lado, cinco minutos a pé. Fui andando depressa. os espasmos não paravam. Peguei o elevador, os espamos cessaram. Um rosto pálido e sem vida de olhos revirados tomaram o lugar da face meiga e afetuosa que eu conhecia. o corpo começou a esfriar.
Tentei não tocar a campainha. estragar a festa de uma pessoa queridíssima que me viu nascer. mas eu estava desesperado. não sabia o que fazer. e pedi ajuda. acho que minha mãe teve um trauma duplo naquela noite. Implorei para que não a deixassem sair e ver o Mike. Ela viu, e sofreu por ele e por mim que estava sem chão.
A idéia de deixa-lo no mar apareceu, e minha tia, que também estava no aniversário, foi comigo. Peguei seu corpo já frio, dei um beijo e falei coisas que só nós dois sabemos.
A questão é: eu precisava passar por tudo isso? Mesmo se a incompetente citada no início do texto tivesse sido mais responsável, ele não teria sobrevivido, pif não tem cura. Mas com medicamentos e cuidados adequados, poderia ter uma sobrevida maior, de 10 meses no máximo. E o que mais me revolta, ele não precisava sofrer tanto. Nem eu, nem minha mãe e nem todas as pessoas já cientes do fato que também sofreram com a notícia. Ele poderia ter sido sacrificado, sem sofrimento e dor. É inadmissível que algo deste tipo aconteça com outra pessoa por inexperiência, incompetência e preguiça profissional. Talvez eu esteja escrevendo tudo isso como uma forma de alertar e talvez me livrar de uma culpa, o que é normal depois de uma perda. Não sei se cabe processo e nem quero saber. Nenhum ressarcimento financeiro vai traze-lo de volta. Mas profissionais que cuidam de uma vida, humana ou felina, precisam ser mais responsáveis e cuidadosos.
Como nem tudo são lágrimas, posso afirmar que o Mike só trouxe coisas boas desde que chegou. Foi amado e muito bem cuidado. Cumpriu seu papel e agora está em paz.





Li o post e me emocionei..isso é mto grave..ja perdi um gatinho por incompetencia do veterinario..ja faz 9 anos e ate hj eu sou revoltada...
ResponderExcluirhj, tenho um outro gatinho, e qdo é preciso levo em uma clinica em q os veterinarios sao otimos...escolher o lugar certo pra levar o animalzinho é super importante..
Puxa cara, muito triste mesmo, eu tambem perdi minha gatinha de forma terrivel, atropelada pelo meu pai... ela morreu na minha mão... não ha palavras q nos confortem... eu por sorte fiquei com 1 filhote dela e hj amo tanto ele qanto amava ela... pegue outro bichano, o qanto antes e canalise essa dor ao carinho q pode dar a este novo amigo... Abraçao, força ai...
ResponderExcluirsinto muito pela perda. nao é justo ele pagar pela incompetencia de um veterianrio que estudou anos.
ResponderExcluirsó o tempo pode tentar amenizar a dor que existe e com ele ficarão as melhores lembranças.
mando os melhores pensamentos de força e meu peludo manda beijos e ronrons ;*
Nossa, muito triste. Eu que sou pai de 3 gatos (recuso chamar-me de dono) sendo que uma tem 15 anos fico comovido com uma história assim. No fim achei muito nobre da sua parte deixar a raiva de lado pela incompetência da médica e lembrar dos bons momentos com o Mike. Abraços.
ResponderExcluirOlá. O que você escreveu me deixa particularmente triste, pois é mais ou menos o que está acontecendo com a minha cachorrinha, a Lili. Ela começou a ter alguns problemas de saúde, sangramentos, desinteria, etc, e levamos à veterinária. Ela diagnosticou vermes. Fez o tratamento, deu vários remédios para verme, mas ela não melhorava. Ia só emagrecendo, desidratando... Fomos à outra veterinária. Esta disse que ela tinha giardia. Deu mais um monte de remédios, alguns que deixaram a coitadinha com gastrite, sem conseguir comer mais nada. Passou a comer apenas comida líquida, soro, e remédios para gastrite. Mas não melhorava nunca, sempre sangrando, emagrecendo e sofrendo. Fomos então à terceira veterinária. Ela na hora mandou fazer ultra-som e exame de sangue. Foi assim que descobrimos a causa real: ela tem câncer no intestino, um tumor de 6cm. Só que agora, ela está tão debilitada que não é mais possível fazer cirurgia, pois não aguentaria... Depois de tudo que passamos, depois de tudo que ela sofreu, agora não podemos mais fazer nada, além de ver ela definhar... Ou dar a eutanasia. Nem sabemos o que fazer lá em casa, eu e minha família já brigamos, nos desentendemos, e tudo o mais, sobre o futuro dela, pois uns querem a eutanasia, outros a cirurgia, e outros querem até deixar ela definhando até a morte. Gostaria que esses veterinários fossem melhor preparados, pois, se tivessem diagnosticado o câncer antes, talves a cirurgia ainda fosse uma opção segura para ela... E nós, que vivemos com o animalzinho, só podemos sofrer e esperar o que vai acontecer...
ResponderExcluirÉ difícil. Claro que não posso dimensionar a sua dor, a dor é única.. pelo menos ele não está mais sofrendo de forma tão injusta.
ResponderExcluirBom, eu não conheço você, e sei que nada que eu diga vai mudar a situação, nem quero sobrepor minha dor sobre a sua, mas lendo isso me lembrei de meu gato que morreu há aproximadamente um ano, sendo bem pequeno (tinha pouco menos de um ano). Desculpe-me se parecer incoveniente contar sobre isso, mas também senti uma certa falta de atenção por conta da veterinária. E foi tudo muito, muito rápido. Ele começou a passar mal numa terça e no sábado já estava morto. Ele teve a chamada doença da pulga, e precisaria de tranfusão de sangue, no entanto não encontramos doador e os remédios em nada ajudaram.
Eu realmente espero que a vida dos animais seja levada mais a sério. Afinal de contas, eles não são "só" bichos, não é mesmo? A partir do momento em que eles vivem tão próximos de nós, eles são família também, né?, como se fossem melhores amigos que não usam palavras.
O que posso lhe recomendar -- se você me permitir -- é adotar outro animal. Seja gato, seja cachorro, seja periquito: obviamente eles nunca substituirão o seu Mike, mas pelo menos diminuirão o vazio. Foi isso o que me ajudou a levantar a cabeça e a seguir em frente, porque a dor demora a passar, mas com alguém ao seu lado é mais fácil -- seja gente, seja bicho.
Li e compreendo sua revolta. Infelizmente essa falta de competencia em diagnosticar seu gatinho só aumentou a dor e o sofrimento dele e o seu também. E infelizmente também os protetores não tem como fazer os exames necessários para saber se os seus resgatados tem certas doenças pelo fato do abandono e da procriação desenfreada ser imensa e os valores dos exames também.
ResponderExcluirPorém peço lhe que não pegue ainda outro gatinho pois essa doença é contagiosa e provávelmente o ambiente aonde o seu amado ficava está contaminado. Gatos com pif não podem se misturar à outros que não tem e isso é algo que os protetores tem que começar a prestar mais atenção. A quarentena e o isolamento é necessário e por esse motivo as medidas sanitárias são essenciais para se evitar maiores contaminações e isso nem sempre é observado.
Sei que com esse coração imenso voce não ficará sem outro bichinho e com certeza outro terá a oportunidade de ser tão amado como o Mike. Bjs na alma.
Fiquei bem triste e comovida com sua historia, perder o animalzinho da familia que só nos traz alegria é uma dor muito forte. Mesmo essa doença nao tendo cura, é complicado saber que poderia ter sido feito o melhor e nos sentimos de mãos atadas perante tal situação. Mas nao podemos nos sentir culpados nem culpar a tal medica, já que a doença é de dificil diagnositco.. claro que ela poderia nao ter falar que ia ficar tudo bem, quando na verdade nao se tem certeza do que é.. mas nao podemos julga-la.
ResponderExcluirEnfim, o tempo é nosso melhor amigo nessas horas de dor e revolta e tenho certeza que um novo companheiro estará por vir e te fazer mais feliz ainda.
Beijinhos e fica com Deus.
a todos, muito obrigado pelas palavras. tenho outra gata, a duda, que já passou por exames, e a pif não foi diagnosticada. esta doença precisa ser divulgada. a incompetência médica também. o veterinário da clínica competente me ligou 3a passada. era pif, mas ainda não tive coragem de pegar os exames. um grande abraço para todos, e especialmente para aqueles que perderam um filho, humano, canino, felino, etc.
ResponderExcluirSei exatamente o que vc está passando. Perdi um "filho" cachorro há seis anos e até hoje não me esqueço da cena dele desfalecendo no meu colo e a impotência diante daquela situação. O Mike vai te dar forças para superar esse momento difícil e, com certeza, vai escolher lá no céu dos gatinhos um outro anjinho para te alegrar e fazer companhia.
ResponderExcluirQue gatinho mais lindo, que história mais triste! Adote outro gatinho e seja feliz com ele por mais tempo! Foi uma fatalidade a doença e uma tremenda irresponsabilidade o diagnóstico errado. Peço que você me mande por email os nomes dos irresponsáveis, para eu nunca levar minhas gatas neles, em caso de emergência. Não vou divulgar nem te causar mal. Só fico preocupada.
ResponderExcluirFique bem! Estou torcendo pela sua recuperação emocional ao lado de outro serzinho felino especial! Com tanto amor que você tem pra dar, certeza que é uma questão de tempo até você ter outro companheirinho. Um beijo, Daniela (daniela70@terra.com.br)
mto triste...as lágrimas foram inevitáveis...sei como se sente...já perdi um gato tbm depois de muitas idas a uma clínica...tantos exames....tantos remédios...vc acredita que ele irá melhorar...e a morte é sempre um choque...com certeza o Mike estará sempre com vc (em sua mente, seu coração)...e futuramente quem sabe um outro baby possa te dar mtas alegrias tbm (eu não consigo imaginar minha vida sem felinos)
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